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Teeme Ära


O projeto chama Teeme Ära - ou em inglês, Let´s Do It -
e a história é a seguinte:

Desde 1991, a Estônia vinha tendo um sério problema com o depósito
de lixo ilegal em suas florestas que, vale dizer, ocupam metade de
todo o seu território. Os próprios habitantes de lá não apenas
negligenciavam a questão como contribuiam a cada dia para
a transformação das lindas paisagens em lixões imundos.

Bastante incomodados com a sujeira, um pequeno grupo de visionários
resolveu propor ao país uma mega faxina. Rainer, um deles, estava
ainda mais indignado e propôs que as 10 000 toneladas de lixo
fossem removidas em apenas um dia
.

Nem ele nem ninguém fazia ideia de como isso seria feito, mas
eles decidiram seguir com a meta de qualquer maneira. Calcularam
que seriam necessários os esforços de 40 mil pessoas para concluir
a tão ousada tarefa.



Iniciaram então com o primeiro time, que contava com 20 voluntários
para o planejamento da ação. Em pouco tempo, esse mesmo time
cresceu para 620 dos melhores profissionais do país, que aceitaram
o convite porque acreditaram na importância da causa.

A partir daí, o próximo passo era informar e envolver o maior número
de colaboradores, empresas, indústrias, artistas, veículos e afins.
Importante ressaltar que cada um deles contribuiu dentro da sua área
fazendo o que sabia fazer bem.

A terceira etapa consistia em todo o mapeamento do projeto. Os nerds
da Estônia desenvolveram softwares que, combinados com o Google
Earth
, tornaram possível a localização de todos os focos de lixo.
Para isso, os próprios habitantes também ajudavam, enviando
informações via celular.

A quarta etapa foi dedicada à comunicação. Só preciso dizer que
foi a maior campanha já realizada na história da Estônia e
ninguém pagou nada por isso.

No quinto e último passo, os voluntários se registravam no site do
projeto, organizando-se em times. Quando chegou o dia D, 3 de maio
de 2008, 50 mil pessoas - 4% da população do país - arregaçaram
as mangas e o final da história é sacado, porém bem feliz!
Florestas da Estônia livres do lixo.

Esse projeto é lindo e o vídeo é pura inspiração! Se tanta coisa
está fora do nosso alcance, por que a gente não se preocupa
em realizar o que está
, né?

Lixo não é esgoto


Soube outro dia que trituradores de resíduos são a nova tendência para muitas construtoras brasileiras e fiquei realmente preocupada. Vendidos como uma alternativa sustentável por sua capacidade de reduzir o volume do lixo orgânico, esses trituradores instalados nas pias de cozinha na verdade só transferem o problema de lugar.

Os fabricantes, obviamente priorizando o aumento das vendas, apresentam o produto como a brilhante solução para uma cozinha mais higiênica e responsável e usam como forte argumento a superlotação dos aterros sanitários.

Dá só uma olhada no vídeo abaixo:



Eles se esquecem de dizer que resíduos orgânicos não são os principais vilões dos aterros e que trituradores infelizmente não são mágicos.

Quando utilizados, eles fazem com que os restos de alimentos deixem de ocupar espaço nos lixões para aumentarem a carga de resíduos sólidos a ser tratada pelas redes de esgoto. Como se não bastasse, ainda gastam energia e podem provocar sérios entupimentos.

Ainda que nos Estados Unidos a grande maioria seja adepta dos trituradores, não dá pra esquecer que nossa realidade é outra: estações de tratamento brasileiras simplesmente não são preparadas para receber essa enorme carga de matéria orgânica. Além do mais, a utilização desses aparelhos não faz o menor sentido: resíduos sólidos retirados do esgoto são enviados a aterros sanitários. Para que então sobrecarregar as estações de tratamento - criando riscos e aumentando custos - se os dois caminhos têm o mesmo fim?

Às vezes a gente tem a melhor das intenções mas toma a decisão errada por pura falta de informação. Então fechando o post pra ninguém esquecer: Lugar de lixo não é na rede de esgotos.

The Story of Stuff


Muito mais importante que assimilar a problemática do lixo é entender a origem dessa loucura e se conscientizar sobre a gravidade do consumismo desenfreado.

A grande maioria das pessoas passa a vida insatisfeita porque se mata de trabalhar para comprar coisas que não precisa. Pouco tempo depois, a moda muda, surge um novo modelo de ipod ou celular e as pessoas se obrigam a ter tudo novo de novo.

É assustador saber que 99% de todas as coisas produzidas e compradas nos Estados Unidos vira lixo em 6 meses. Ok, os americanos são de longe os seres mais consumistas, mas é justamente esse comportamento insano que anda regendo o mundo.

Depois de 10 anos de pesquisas sobre a origem e o destino das coisas, Annie Leonard conseguiu traçar um panorama sobre todo o sistema em que estamos envolvidos num vídeo simples porém bastante esclarecedor.

No site The Story of Stuff, você assiste a versão original em melhor qualidade mas, se preferir, o vídeo abaixo tem legendas em português.

São apenas vinte minutinhos que valem muito a pena.