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Números em imagens


Falei sobre o Chris Jordan no primeiro post do Na Lata, mas hoje descobri sua palestra no TED e não pude deixar de postar aqui.

Esse artista americano faz um trabalho maravilhoso, buscando incessantemente enfiar na nossa cabeça o óbvio: somos todos indivíduos formando um enorme coletivo.

Cada obra dele nada mais é que a tradução de dados alarmantes em imagens que são ao mesmo tempo lindas, fortes e muito perturbadoras. Suas peças envolvem números tão extraordinários que simplesmente não conseguimos atribuir a eles seu real significado. Mesmo tendo consciência dos valores numéricos, não assimilamos a gravidade que cada um deles representa.


Um milhão de copos são usados em vôos nos EUA..

a cada 6 horas


426.000 celulares são descartados nos EUA..

a cada dia

A intenção do artista é nos fazer enxergar que pequenos hábitos aparentemente inocentes se transformam, quando somados, em gigantescas catástrofes, já que vivemos num planeta cuja população alcança os 7 bilhões de habitantes.



O próprio Chris Jordan Apresenta seu trabalho no TED


Ele aborda a maneira que incorporamos diversos hábitos de forma inconsciente sem nos darmos conta que cada uma dessas ações contribui para um resultado que nenhum de nós quer, mas do qual todos temos uma parcela da responsabilidade. Somos vítimas, mas também somos culpados.

Por fazermos parte de uma população tão imensa, pode parecer lógico encarar nossos atos diários como insignificantes; mas justamente porque somos muitos, precisamos entender a importância que tem cada uma das nossas ações.

As imagens de Jordan nos ajudam a enxergar nossa participação no mundo e nos convidam a rever  hábitos e valores. Somos todos agentes com o poder da escolha, porque a vida, felizmente, não é uma historinha da Disney dividida entre mocinhos e vilões.

Teeme Ära


O projeto chama Teeme Ära - ou em inglês, Let´s Do It -
e a história é a seguinte:

Desde 1991, a Estônia vinha tendo um sério problema com o depósito
de lixo ilegal em suas florestas que, vale dizer, ocupam metade de
todo o seu território. Os próprios habitantes de lá não apenas
negligenciavam a questão como contribuiam a cada dia para
a transformação das lindas paisagens em lixões imundos.

Bastante incomodados com a sujeira, um pequeno grupo de visionários
resolveu propor ao país uma mega faxina. Rainer, um deles, estava
ainda mais indignado e propôs que as 10 000 toneladas de lixo
fossem removidas em apenas um dia
.

Nem ele nem ninguém fazia ideia de como isso seria feito, mas
eles decidiram seguir com a meta de qualquer maneira. Calcularam
que seriam necessários os esforços de 40 mil pessoas para concluir
a tão ousada tarefa.



Iniciaram então com o primeiro time, que contava com 20 voluntários
para o planejamento da ação. Em pouco tempo, esse mesmo time
cresceu para 620 dos melhores profissionais do país, que aceitaram
o convite porque acreditaram na importância da causa.

A partir daí, o próximo passo era informar e envolver o maior número
de colaboradores, empresas, indústrias, artistas, veículos e afins.
Importante ressaltar que cada um deles contribuiu dentro da sua área
fazendo o que sabia fazer bem.

A terceira etapa consistia em todo o mapeamento do projeto. Os nerds
da Estônia desenvolveram softwares que, combinados com o Google
Earth
, tornaram possível a localização de todos os focos de lixo.
Para isso, os próprios habitantes também ajudavam, enviando
informações via celular.

A quarta etapa foi dedicada à comunicação. Só preciso dizer que
foi a maior campanha já realizada na história da Estônia e
ninguém pagou nada por isso.

No quinto e último passo, os voluntários se registravam no site do
projeto, organizando-se em times. Quando chegou o dia D, 3 de maio
de 2008, 50 mil pessoas - 4% da população do país - arregaçaram
as mangas e o final da história é sacado, porém bem feliz!
Florestas da Estônia livres do lixo.

Esse projeto é lindo e o vídeo é pura inspiração! Se tanta coisa
está fora do nosso alcance, por que a gente não se preocupa
em realizar o que está
, né?

Sobre a visão


A visão sem ação não passa de um sonho.
A ação sem visão é só um passatempo.
A visão com ação pode mudar o mundo.

Joel Barker

Escolha sua


O primeiro post do novo ano fala sobre otimismo e, se a princípio
não fica tão clara a razão, vale dizer que esse tema é grande parte
da filosofia do blog e é o que mais me motiva a escrever aqui:
eu acredito mesmo que a gente sempre pode melhorar muita coisa.

Segundo o Wikipedia, otimismo é a disposição para encarar os fatos
pelo seu lado positivo e esperar sempre por um desfecho favorável,
mesmo em situações muito difíceis. A palavrinha mágica dessa frase
é: disposição. Aquela mesma que a gente busca pra acordar bem
cedinho e sair pra correr. Ou seja, todo mundo sabe bem que ela 
existe, ainda que custe um pouco - às vezes muuuito - pra encontrar.

Ter disposição, disciplina e autonomia para encarar os problemas
da vida - e do mundo - é escolha nossa. Ninguém pode fazer isso
pela gente. Falar que a humanidade tá perdida e que não existe
nada a ser feito é se conformar com o pessimismo. É escolher
a posição mais cômoda e optar por não enxergar as inúmeras
soluções possíveis para cada problema.


Testa aqui se você é otimista.

Eu não acredito em deus. Não nesse deus que as pessoas adoram
e nem muito menos tenho religião. Pra compensar, eu acredito
demais numa inexplicável conexão entre todas as pessoas 
e as coisas do mundo. Mais ainda, eu tenho uma enorme certeza 
de que todas as nossas atitudes, por menores que sejam, provocam
consequências no nosso entorno. Todas as atitudes e todas as
ideias que a gente tem - inclusive aquelas que a gente nem sabe
que tem - fazem parte de nós e acabam se refletindo na nossa
maneira de viver e nos relacionar. Não tem como fugir.

Ainda que o mundo esteja cheio de absurdos, catástrofes
e péssimas notícias, nunca adiantou ficar lamuriando sobre
os azares e as injustiças enquanto se espera Godot. A mudança
vem da gente mesmo e tem que ser profunda. Daí insistir em
ações pequenas que podem parecer inúteis, como.. adivinha? é!
separar o lixo ou comer menos carne. Várias pequenas atitudes
acabam formando uma bem grande. É a partir das pequenas
ideias que as grandes surgem, que leis são feitas, comportamentos
são alterados e problemas são resolvidos.

A gente é parte de um grande coletivo. Assim como aquela
velha metáfora do organismo formado por células microscópicas.
Soa banal, mas ninguém se dá conta e vive isso de fato. Assimilar
essa ideia tão simples faz com que a gente enxergue a nossa
importância no coletivo e se identifique com ele. E então passamos
a nos sentir tão próximos do vizinho do prédio quanto de um
neozelandês, afinal tudo é interligado e todos fazemos parte de
uma mesma rede. (É exatamente pela capacidade de tangibilizar
melhor essa ideia que eu amo tanto a internet!)

Resumindo, se eu pudesse fazer um pedido pra 2010 seria que a
gente tomasse essa consciência. Que todo mundo, de repente, se
desse conta que faz parte de uma estrutura incrível, perfeita, 
que evoluiu bilhões de anos pra chegar até aqui.

Quando somos parte de algo, temos um compromisso, e faz parte
desse compromisso acreditar no sucesso dele. Caso contrário,
todo o sentido da coisa se perde. Assim como a gente espera
milhões de coisas da natureza, do governo ou da sociedade, todos
eles esperam que a gente se conscientize das nossas
responsabilidades e desempenhe as nossas funções. Células, que
de tão pequenas são invisíveis, desempenhando bem suas funções,
são justamente o que forma você. Não fica óbvio que cada uma
delas é essencial?

Como ano novo sempre dá vontade de uma vida nova, aproveito
pra deixar aqui uma proposta pra todo mundo que chegou ao fim
desse post: escolha a sua causa, perceba a sua importância e faça
um pouco pelo coletivo. Causas existem aos montes e não param
de se multiplicar. Só precisamos identificar qual delas mais combina
com a gente. Pode ser alfabetizar alguém, adotar um cachorro,
salvar baleias ou separar o lixo.

Compromisso


"Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos preocupados e comprometidos possa mudar o mundo. Na verdade, é só isso que o tem mudado." Margaret Mead